A remuneração médica no Brasil é justa?

Tempo de leitura: 5 minutos

Desde antes de entrar na faculdade, escolher a medicina não é algo fácil. Depois de formados, os médicos têm que prezar pela qualidade de vida e saúde da população, o que é uma tarefa difícil e que demanda bastante responsabilidade. 

Para os profissionais, a pergunta que fica é: a remuneração médica é justa? É isso que a pesquisa da Medscape, site especializado em medicina, quer responder. 

Ficou curioso? Acompanhe esse texto e entenda o estudo!

A pesquisa

Essa é a segunda edição da pesquisa sobre Remuneração Médica da Medscape. A outra foi realizada em 2017. 

O estudo foi realizado entre 28 de fevereiro de 2019 e 10 de abril de 2019. Sua margem de erro é de 2,45%, com nível de confiança a 95%. 

Os médicos que responderam a pesquisa são todos membros da Medscape. Isso significa que a pesquisa não abrange toda a população médica do país. 

O perfil 

Esse ano, foram entrevistados 1599 profissionais, sendo 64% homens e 36% mulheres. Entre as especialidades estão, em sua maioria, cardiologistas, ginecologistas e obstetras (7% cada), pediatras, psiquiatras, anestesiologistas (6% cada) e ortopedistas, traumatologistas e intensivistas (4% cada).

Os médicos que responderam a pesquisa tem majoritariamente de 28 a 34 anos (27%). 20% dos médicos têm de 35 a 39 e 14% de 40 a 44. 

O ambiente de trabalho da maioria dos médicos entrevistados é o hospital (41%), seguido de consultório particular (15%), unidades de saúde (13%), clínica compartilhada com colegas da mesma especialidade (8%) e clínica com múltiplas especialidades (7%).

Dos entrevistados, 46% são funcionários, 29% são autônomos, 12% proprietários de consultório particular, 9% sócios e 4% proprietários de clínica. 

79% dos respondentes se declara branco, enquanto 17% são pardos, 5% amarelos, 3% negros, 2% nativos e 3% não responderam ou não se sentiram inclusos em nenhum das alternativas.

A maior parte dos médicos que responderam a pesquisa se concentra na região sudeste (53%). A região sul teve 24% dos respondentes, nordeste 13%, centro oeste 7% e norte 3%.

Especialistas x generalistas

Os especialistas têm uma remuneração médica maior do que os generalistas. A diferença é de R$55.000 a mais anualmente, um acréscimo de R$38.000 comparado com a distância de valores de 2017. 

Gênero 

As mulheres ganham menos que os homens, sendo elas médicas especialistas ou generalistas. A diferença de valores é de 30%.

Na categoria generalistas, as mulheres ganham R$41.000 a menos anualmente. Já as especialistas sofrem um déficit de R$61.000.

Elas passam 39 horas semanais atendendo pacientes, enquanto eles, 37.

Gastos e estilo de vida

61% dos médicos afirmaram que conseguem viver de acordo com seus recursos. Isso quer dizer que eles não gastam mais do que ganham, mas também não gastam menos. 

29% disseram viver abaixo dos recursos, o que significa que eles não gastam tudo que ganham. Enquanto isso, 9% diz que vive acima dos recursos e acaba gastando mais do que a renda mensal. Apenas 1% não quis responder a questão. 

A principal despesa dos médicos é o gasto com os filhos (42%). Abaixo disso está escola particular para os filhos (33%), despesas médicas (32%) e financiamento da casa (27%).

Tempo e rotina

Diariamente, médicos gastam bastante tempo preenchendo papeladas e cuidando de processos administrativos. 

Falando em horas semanais, 24% deles afirmaram passar de 10 a 14 horas com a parte burocrática da profissão. 

Somando todos os profissionais que afirmaram gastar mais de 15 horas semanais com papeladas e gestão, temos quase metade dos médicos entrevistados para pesquisa.

Podemos ver que, infelizmente, grande parte do tempo que poderia ser usado para atender os pacientes está sendo empregado em tarefas administrativas. 

A remuneração médica

Os profissionais não estão satisfeitos com a remuneração médica. 61% deles acredita que ela não é justa. Os que disseram estar satisfeitos são 40% especialistas e 35% generalistas.

Satisfação e desempenho 

80% dos entrevistados garantem que estão felizes com seu desempenho na profissão, sendo que 61% estão satisfeitos e 19% muito satisfeitos. 

A maioria dos profissionais que responderam de forma afirmativa são médicos especialistas na faixa etária dos 45 anos. 

Os que responderam de forma negativa somam 20%, dos quais 13% não estão nem satisfeitos e nem insatisfeitos, 6% estão insatisfeitos e 1% muito insatisfeitos. 

Pontos negativos 

Toda profissão tem seu lado negativo e a medicina não é exceção. 36% dos médicos acredita que trabalhar demais seja a pior parte. 

21% considera os problemas com as seguradoras e planos de saúde e 17% lidar com pacientes difíceis. Esse último ponto foi o mais respondido entre os médicos generalistas ou de idade mais avançada. 

Pontos positivos 

Ser bom no que faz, encontrar respostas fazendo diagnósticos teve 25% das respostas. A gratidão e a relação com os pacientes somaram 21%, mas foi a opção mais assinalada entre as mulheres, médicos mais jovens ou pelos que trabalham em consultório. 

Em 2017, a gratidão era motivo de satisfação de 39% dos médicos. Hoje, o segundo fator que mais traz alegria na profissão é ganhar bem fazendo o que gosta, com 23%. Há dois anos atrás, isso representava apenas 7% das respostas. 

A carreira

Já se perguntou se escolheria a mesma profissão novamente? Foi exatamente isso que os entrevistados precisaram responder. 

Mesmo que a grande maioria não esteja satisfeita com a remuneração médica, 69% afirmaram que fariam a mesma escolha, inclusive na mesma especialidade. 

E você, concorda com o resultado do estudo? As informações da pesquisa representam sua situação atual ou tem algo de diferente passando com você? Deixe nos comentários a sua opinião e compartilhe esse texto com seus amigos! Quem sabe, com debate e bons argumentos a realidade não pode mudar?

Você pode conferir a pesquisa completa clicando aqui. 

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