Telemedicina: como implementar após a autorização do CFM?

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No dia 19 de Março, sob o Ofício nº 1756/2020, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu autorizar a prática de Telemedicina no Brasil. Com o objetivo de proteger tanto a saúde dos pacientes quanto dos profissionais, o CFM comunicou a decisão ao Ministro da Saúde. A partir desta data, ficaram autorizadas as práticas de Teleorientação, Telemonitoramento e Teleinterconsulta. A pergunta inevitável: sua clínica está preparada?

Este é o momento de acelerar a preparação para a transformação tecnológica proposta, em caráter emergencial, pelo próprio CFM. A Telemedicina foi um dos principais tópicos na área da saúde em 2019. Os debates foram provocados pela Resolução 2.227/18, que gerou muito alarde entre profissionais da Saúde, principalmente, entre médicos. Diante de manifestações favoráveis e contrárias à regulamentação, o CFM decidiu revogá-la. O principal argumento desfavorável à telemedicina, no início de 2019, foi o prejuízo à relação médico paciente.

O surgimento de casos do novo Coronavírus no Brasil exigiu uma alternativa para que os pacientes possam ser assistidos, com as devidas precauções. Então, o avanço tecnológico na área da saúde trouxe a resposta: a Telemedicina está autorizada pelo CFM.

Neste artigo, vamos abordar as principais vantagens da Telemedicina e como você pode implementar na sua clínica.

  1. Como você pode aplicar a Telemedicina como autorizado pelo CFM?
  2. Telemedicina e o contexto atual do mercado médico no Brasil.
  3. Como começar hoje a transformar sua clínica?

CFM autoriza a prática da Telemedicina

O Ofício nº 1756/2020 do CFM, em seu quinto item, expressa o seguinte:

Este Conselho Federal de Medicina decidiu aperfeiçoar ao máximo a eficiência dos serviços médicos prestados e, em caráter de excepcionalidade e enquanto durar a batalha de combate ao contágio da COVID-19, reconhece a possibilidade e a edicidade da utilização da telemedicina, além do disposto na Resolução CFM nº 1.643, de 26 de agosto de 2002, nos estritos e seguintes termos.

As práticas autorizadas foram Teleorientação, Telemonitoramento e Teleinterconsulta.

  • Teleorientação é a estratégia pela qual os profissionais da medicina podem realizar à distância a orientação e o encaminhamento de pacientes em isolamento.
  • Telemonitoramento é o ato realizado sob supervisão médica para monitoramento ou vigência à distância de parâmetros de saúde e/ou doença.
  • Teleinterconsulta é a modalidade que deve ser utilizada, exclusivamente, para troca de informações e opiniões entre médicos para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

Na prática, como já era previsto ao falarmos de Telemedicina, a capacidade de comunicação entre os profissionais é a primeira grande transformação. A Teleinterconsulta possibilita que pacientes em diferentes locais do país tenham acesso às opiniões dos especialistas mais qualificados. Além disso, a possibilidade de teleorientação reduz o tempo entre o aparecimento dos sintomas e a orientação médica. Isso contribui tanto para identificação de casos graves quanto para a reduzir o número de consultas nas emergências.

Qual opinião dos médicos brasileiros sobre a Telemedicina?

Este é um tema que está longe de gerar algum consenso entre os profissionais da medicina. Recentemente, segundo pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM), 70% dos profissionais acreditam que, com a Telemedicina, é possível ampliar o atendimento médico para além do consultório. 21% responderam “talvez” e apenas 9% discordaram. Além disso, 65,19% afirmaram que utilizam o WhatsApp ou outros aplicativos de mensagem para interagir com paciente ou familiares fora do atendimento na clínica ou no hospital.

Quando os participantes foram questionados sobre um novo posicionamento do CFM em relação à Telemedicina, 64% afirmaram que esperam por uma regulamentação que permita a ampliação de serviços e atendimentos à população brasileira, incluindo a teleconsulta. Por outro lado, 27% opinaram por uma regulamentação que proíba a prática. Em caso de regulamentação favorável, 63% dos participantes utilizaria a Telemedicina como ferramenta complementar ao atendimento da clínica ou do hospital. A APM contou com a participação de 2.258 médicos de 55 especialidades, sendo 60,54% homens e 39,46 mulheres.

Este dados foram coletados no início de Fevereiro, antes do Coronavírus ser considerado uma pandemia. Após a declaração do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, considerando o surto uma pandemia mundial, muitas transformações aconteceram. A iniciativa do CFM, inclusive, é contingencial ao novo status de contágio e à chegada dos casos ao Brasil. Então, além das opiniões dos profissionais entrevistados pela APM, a urgência em prestar atendimentos reduzindo o risco de contágio é iminente. Por isso, acompanhe o artigo até o final para saber como implementar ainda hoje as principais vantagens da Telemedicina.

O que é Telemedicina?

De acordo com definição do Conselho Federal de Medicina (CFM) a Telemedicina é o

Exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde.

A Telemedicina é, portanto, uma ferramenta para a prática médica, que possibilita o exercício da Medicina aliado às inovações tecnológicas. Além de compreender a Telemedicina como uma ferramenta, é preciso ficar atento para o que ela não é. Não se trata de um recurso para substituir o médico, tampouco, para diminuir a atenção do profissional ao paciente. É possível, aliás, afirmar o contrário: a Telemedicina pode aproximar médicos e pacientes e, assim, valorizar ainda mais a prática profissional.

A telemedicina pode ser utilizada em diferentes momentos do atendimento:

  • Consulta médico paciente;
  • Ensino e pesquisa;
  • Promoção e prevenção em saúde;
  • Resolução cooperativa de casos especiais.

Antes de avançarmos no texto, é preciso que você retorne alguns passos em relação ao que já ouviu falar sobre a telemedicina. No ano de 2019, foram ouvidas muitas opiniões sobre o tema, o que pode ter distorcido o conceito e sua funcionalidade. Nesse sentido, perceba que a telemedicina não é apenas o atendimento à distância, como um atendimento médico online. Essa pode ser uma realidade nos próximos anos. No entanto, não é apenas esse o propósito da telemedicina.

O Ministério da Saúde possui a estratégia Saúde Digital, que aplica recursos tecnológicos de comunicação incorporados aos modelos atuais de atendimento. Assim, há o melhor aproveitamento de recursos financeiros e de profissionais, facilitando, por exemplo, o acesso a especialistas. Dessa forma, os principais objetivos para a implantação da telemedicina são:

  • Crescimento das empresas na área da saúde;
  • Troca de conhecimentos entre profissionais;
  • Maior acesso ao conhecimento de especialistas;
  • Agilidade na comunicação interprofissional;
  • Expansão da capacidade de atendimento.

O mercado médico no Brasil

No Brasil há mais de 450 mil médicos segundo o estudo Demografia Médica de 2018. Este número corresponde a 2,18 médicos para cada mil habitantes no país. Além disso, é importante compreender a distribuição dos profissionais entre as regiões brasileiras, o que é desigual:

  • Sudeste 2,81 a cada mil habitantes;
  • Norte 1,16;
  • Nordeste 1,41.

O estado de São Paulo concentra 21,7% da população e 28% dos médicos do país. Já o Distrito Federal possui 4,35 médicos por mil habitantes e o Rio de Janeiro possui 3,55. No Nordeste, por outro lado, há falta de profissionais. O Maranhão a razão de 0,87 médico por mil habitantes e o Pará 0,97. Outro fator importante sobre a distribuição de profissionais é a relação as capitais e as cidades do interior. As capitais possuem 4 vezes mais médicos do que os demais municípios.

Além de possuírem mais profissionais que as cidades do interior, as capitais possuem, no total, 55,1% dos médicos do país. Em relação à população, as capitais possuem apenas 23,8% do total de habitantes do Brasil. Logo, a maioria dos profissionais formados está nas capitais apesar de a maioria da população viver em cidades do interior. Essa concentração de profissionais, de acordo com o CFM, implica em dois aspectos negativos principalmente:

  • Agrava os problemas de gestão em saúde pública no país; e
  • Pode reduzir a qualidade do atendimento na rede privada, com o advento de clínicas populares com baixo controle de qualidade.

Especialistas também enfrentam concorrência

O título de especialista não é mais uma garantia de clínica lotada de pacientes. Após a Residência Médica, você não será o primeiro especialista de sua cidade. Entre os profissionais da Medicina no Brasil, 60% são especialistas. A tendência é que este percentual cresça. Basta considerar o número de vagas abertas para Residências Médicas. Em 2018, foram abertas mais de 26 mil vagas.

Há diferença de concentração de médicos entre as especialidades. 40% dos profissionais possuem uma destas especialidades:

  • Clínica Médica (42 mil profissionais)
  • Pediatria (39 mil profissionais)
  • Cirurgia Geral (34 mil profissionais)
  • Ginecologia e Obstetrícia (30 mil profissionais).

Em síntese sobre o mercado médico no Brasil, percebemos uma intensa concentração:

  • Regiões Sul e Sudeste
  • Capitais
  • Residências Médicas
  • Em quatro principais especialidades

Assim, há uma alta concorrência entre especialistas que atendem nestas regiões e, principalmente, nas capitais. Em contrapartida, pacientes do interior, que precisam de atendimento especializado, precisam se deslocar até as grandes cidades. Dessa forma, a alta concentração de profissionais, sem a utilização de recursos tecnológicos adequados, resulta na desigualdade de acesso à saúde, mesmo para paciente com maiores condições financeiras.

Na perspectiva dos médicos, há também uma dificuldade em atender essa demanda, muitas vezes, fazendo com o que o profissional abra pequenos consultórios em cidades interioranas. Esta alternativa, por sua vez, resulta em aumento do custo fixo do seu negócio. Por isso, vamos demonstrar quais recursos podem ser aplicados para garantir atendimento sem aumentar despesas.

Como pode ser vantajosa para a sua clínica médica.

Investir em inovação é uma estratégia de sobrevivência para os profissionais médicos. A Telemedicina é uma das alternativas para otimização dos seus negócios. Os principais benefícios para sua clínica médica são:

  • Maior produtividade e eficiência;
  • Superação da concorrência;
  • Redução de custos operacionais;
  • Maior conforto na prestação dos atendimentos.

A aplicação das funcionalidades já existentes da Telemedicina é a construção de um caminho em direção ao oceano azul da medicina. Este conceito foi abordado por Chan Kim e Mauborgne em seu livro “A estratégia do Oceano Azul”. Os autores indicam que para manter seu negócio em pleno crescimento e em segurança é preciso caminhar rumo aos novos mercados, com menor concorrência e maior rentabilidade.

Em síntese, esta é uma alternativa contrária à prática comum dos profissionais da saúde. Muitas vezes, é estabelecida concorrência acirrada, que pode prejudicar sua clínica e reduzir sua qualidade de vida. A estratégia do oceano azul consiste em evitar estes oceanos vermelhos, que reduzem as margens de lucro e criam comoditização de serviços. O oceano azul, por outro lado, está relacionado à detecção de oportunidades pouco exploradas no mercado, reduzindo os prejuízos da competição excessiva com concorrentes.

A Telemedicina é o oceano azul da sua área. Reflita: quantos concorrentes estão preparados para aplicar esta inovação? Por isso, você deve preparar sua clínica e explorar as oportunidades de aumentar o nível de satisfação dos seus pacientes e a qualidade de vida dos profissionais.

Telemedicina na prática: o que você pode aplicar hoje?

Agora precisamos deixar a teoria e colocar em prática. O CFM autorizou a prática de três novas funcionalidades de Telemedicina em caráter excepcional; ou seja, enquanto forem necessárias para o combate à pandemia COVID-19. Além de implementar em sua clínica a Teleorientação, Telemonitoramento e Teleinterconsulta, você também utilizar a tecnologia dos laudos à distância, pratica também autorizada pelo CFM.

Por conta da pandemia do COVID-19 e para reduzir a exposição de profissionais e pacientes ao vírus, a Amplimed liberou no último dia 19 de março a plataforma de teleconsulta aos profissionais de saúde.

O intuito disso, é atender demanda dos médicos e pacientes assim como reduzir o número de visitas presenciais, principalmente para situações clínicas menores (retorno, resultado de exames, etc.), visando a proteção do paciente e profissional e contribuindo para o controle do COVID-19.

Entendemos a importância da situação e reiteramos nosso apoio. Para mais informações, fale com um especialista!


 

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