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CID-10: guia completo para o dia a dia da clínica médica

Tempo de leitura: 22 minutos

A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde é um dos instrumentos mais utilizados por profissionais da área. Com importante base epidemiológica, a ferramenta organiza informações sobre doenças, sinais, sintomas, achados anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas externas.A CID-10, décima versão do documento, foi aprovada em 1994. Dois anos mais tarde, começou a ser utilizada no Brasil. 

O avanço das ciências da saúde é notável e deve-se, principalmente, à aplicação de novas tecnologias. Diante desses avanços, um dos principais desafios é manter um padrão de comunicação entre diferentes profissionais, especialidades e culturas ao redor do mundo. A Classificação Internacional de Doenças (CID) tem esse propósito. Com diversas funcionalidades e sob muitas críticas, a décima versão do documento (CID-10) é uma importante referência para qualquer profissional da saúde. 

A medicina atual é muito mais do que somente o estudo e entendimento do corpo e da mente humana. A epidemiologia é de extrema importância quando falamos de assistência a saúde dos pacientes. 

Isso porque a avaliação do aumento ou diminuição de determinada doença pode ajudar a traçar o perfil de uma população, e consequentemente, usar recursos que realmente supram a necessidade dos habitantes daquele local. 

A Classificação Internacional de Doenças (CID) foi criada para auxiliar nessa demanda. Você sabe o que ele realmente significa e quais são as suas vantagens? Leia esse texto e descubra tudo que você precisa saber sobre a CID-10. 

O que é CID-10?

A nomenclatura simplificada “Classificação Internacional de Doenças” refere-se ao instrumentos de base epidemiológica que organiza informações sobre doenças, sinais, sintomas, achados anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas externas. A CID-10, décima versão do documento, foi aprovada em 1994. Dois anos mais tarde, começou a ser utilizada no Brasil. 

A principal função da CID-10 é ajudar no estudo de doenças que afetam determinado local ou grupo de pessoas. Para que isso seja da forma mais correta e simples possível, foi criado um padrão para classificar as patologias. 

Sendo assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, mais conhecida por Código Internacional de Doenças (CID). O número 10, ao lado da sigla, indica a versão do documento. 

Com maior fidelidade conceitual, é preciso notar que a CID-10 não traz apenas uma classificação de doenças. Ele classifica:

  • doenças;
  • sinais;
  • sintomas;
  • achados anormais;
  • queixas;
  • circunstâncias sociais;
  • e causas externas.

Os estudos para criação da CID-10 começaram em 1983 e foram afirmados na 43ª Assembleia Mundial de Saúde. Os estados-membros utilizaram a classificação, pela primeira vez, em 1994. A CID-10 é válida até 1 de janeiro de 2022, quando será substituída pela décima-primeira versão.

Apesar de ser uma classificação que pretendia ter alcance mundial, apenas 27 países utilizam oficialmente. O Brasil introduziu a classificação em 1996. 

Como a CID-10 funciona?

A CID-10 é uma organização hierárquica de conceitos. Portanto, grupos maiores incluem conceitos mais específicos. Com a padronização catalogada e codificada das doenças, facilita-se o controle da variação do número de casos de cada uma e de cada local ou grupo de pessoas que são afetados por elas. 

Por isso, ajuda os profissionais da saúde em sua prática diária. Você tem ao seu alcance uma lista das principais possibilidades diagnósticas. 

Sendo assim, as decisões e o planejamento são guiados por dados integrados. Sem a classificação, seria mais difícil reunir as informações para criação de estratégias. 

Portanto, a CID-10 funciona como um agrupamento de conceitos de doenças e sinais relacionados. Na prática, esses conceitos são utilizados para diagnósticos clínicos, com base também em outras fontes bibliográficas. 

A utilização dos códigos no cotidiano deve ser cuidadosa, uma vez que é preciso ser assertivo ao atribuir um dos conceitos ao caso em atendimento. Afinal, cada doença codificada carrega um histórico de produção científica que deve ser considerado. 

Outro aspecto importante sobre o funcionamento da CID-10 é a anotação dos códigos nos atestados médicos. Desde a Resolução nº 1.819, do Conselho Federal de Medicina, é proibida 

a colocação do diagnóstico codificado (CID) ou  tempo  de  doença  no  preenchimento  das  guias da  TISS  de  consulta  e  solicitação  de  exames  de seguradoras  e  operadoras  de  planos  de  saúde concomitantemente     com     a     identificação     do paciente e dá outras providências.

O principal motivo para essa definição é a proteção entre médico e paciente. Por outro lado, há situações em que a notificação das autoridades é compulsória. Exemplos disso são  algumas doenças infecto-contagiosas e casos de ferimentos por armas brancas ou armas de fogo. 

Como utilizar a Classificação Internacional de Doenças?

A CID-10 é uma das principais ferramentas epidemiológicas para a clínica médica. Essa importância deve-se a dois motivos. Primeiro, porque é um instrumento baseado em pesquisas de incidência e de prevalência de doenças, sinais e sintomas. 

Além disso, é uma classificação que possibilita a rápida disseminação de informações padronizadas sobre queixas e diagnósticos. Logo, é uma via para que a prática médica seja melhorada com dados oriundos do cotidiano dos serviços de saúde. 

A CID-10 é dividida em 22 capítulos, que agrupam doenças com características semelhantes. A catalogação é feita por categorias, que são representadas por uma letra e dois dígitos. Em um próximo nível, há  subcategorias para as quais é acrescentado um número de 0 a 9. 

Veja, abaixo, a lista de capítulos e seus conteúdos. 

Capítulo I – doenças infecciosas e parasitárias

O primeiro capítulo abrange doenças causadas por parasitas, como cólera, amebíase, tuberculose, viroses e micoses. Em síntese, agrupa as doenças infecciosas causadas por bactérias, fungos, protozoários e vírus. Os códigos variam de A00 a B99. 

Capítulo II – neoplasias

Já o capítulo 2 varia dos códigos C00 a D48. Nesta classificação estão incluídos todos os tipos de tumores. Cada código corresponde a uma localização anatômica ou consequência da doença. Entre C15 e C26, por exemplo, estão as neoplasias malignas de órgãos digestivos. Entre C51 e C58, estão os tumores malignos dos órgãos genitais femininos. 

Logo, é um capítulo que deve ser estudado, especialmente, por profissionais da Oncologia. 

Capítulo III – doenças do sangue

Entre os códigos D50 e D89 estão classificadas as doenças do sangue, dos órgãos hematopoiéticos e alguns transtornos imunitários. Este é o capítulo 3 que inclui, por exemplo, anemias nutricionais (D50-D53), anemias hemolíticas (D55-D59) e defeitos de coagulação (D65-D69).

Aqui, vale um exercício de compreensão da CID-10. Veja:

  • Capítulo III: Doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos e alguns transtornos imunitários
  • Categoria: Anemias hemolíticas 
  • Subcategoria: Anemia hemolítica adquirida (D59)
  • Doença: Anemia hemolítica não-auto-imune induzida por drogas (D59.2) 

A catalogação funciona, portanto, do nível mais abrangente até o conceito mais específico. 

Capítulo IV – doenças endócrinas

O capítulo IV relaciona as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas entre os códigos E00 e E35. São listas alterações como transtornos da glândula tireóide (E00-E07), diabetes mellitus (E10-E14) e alterações na glândula pituitária (E22-E23). Em relação às alterações nutricionais, entre os códigos E65 e E68 são definidas a “obesidade e outras formas de hiperalimentação”. 

Capítulo V – transtornos mentais e comportamentais

O capítulo V inclui todos os códigos da letra F (de F00 a F99). Estão listados todos os transtornos comportamentais. Como este é um dispositivo importante para qualquer clínico, vamos facilitar a sua compreensão. Veja este resumo: 

  • orgânicos (F00 a F09)
  • devidos ao uso de substância (10 a 19)
  • espectro da Esquizofrenia (20 a 29)
  • transtornos de humor (30 a 39)
  • transtornos neuróticos e relacionados ao estresse (40 a 48)
  • associados a disfunções fisiológicas (50 a 59)
  • transtornos de personalidade (60 a 69)
  • deficiência intelectual (70 a 79)
  • transtornos do desenvolvimento (80 a 89)
  • transtornos da infância e adolescência (90 a 98)
  • não especificados (F99).

Para você localizar com facilidade, perceba o seguinte. Os transtornos de alta prevalência, como os Transtornos Depressivos e os Transtornos de Ansiedade são encontrados, respectivamente:

  • entre F32 e F34;
  • entre F40 e F41. 

Vale destacar, também, que os transtornos descritos no capítulo V seguem critérios diagnósticos baseados na 5ª versão do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V).

Capítulo VI – sistema nervoso

O sexto capítulo relaciona as doenças que acometem o sistema nervoso central e periférico. Inclui todos os códigos da letra G (G00-G99). Entre eles, as doenças inflamatórias (G00-G09),  outras doenças degenerativas (G30-G32) e paralisia cerebral (G80-G83).

A principal diferença entre as doenças da classificação F e as definidas na classificação G é a ênfase de suas consequências. Entre F00 e F99, estão as doenças cujos principais sintomas são comportamentais. Já no capítulo VI estão listadas aquelas cuja etiologia e cujos sintomas são prioritariamente fisiológicos. 

Capítulo VII – doenças dos olhos 

Entre H00 e H59 estão descritos os problemas relacionados aos olhos e órgãos anexos. Na lista há transtornos da pálpebra, do aparelho lacrimal e da órbita (H00-H06), transtornos da esclera e da córnea (H15-H19) e glaucoma (H40-H42) entre outros. 

É um capítulo importante para a Oftalmologia. Para consultá-lo basta procurar, em cada categoria, pelo nome da região anatômica acometida. 

Capítulo VIII – doenças dos ouvidos

No capítulo VIII, foram listadas as doenças do ouvido e da apófise mastóide. São apresentadas de forma detalhada as otites e a perda de audição. As primeiras são classificadas de acordo com a localização:

  • Doenças do ouvido externo (H60-H62);
  • Do ouvido médio e da mastóide (65-75);
  • Do ouvido interno (80-83).

É claro que, além das otites, entre H60 e H83 estão outras doenças, como otosclerose (H80), transtornos da função vestibular (H81) e labirintite (H83.0). Já a perda de audição é classificada entre os códigos H90 e H95. Em síntese, são separadas de acordo com suas causas.

Capítulo IX – sistema circulatório

Entre os capítulos IX e XIV são apresentadas as doenças de sistemas. No capítulo IX, todos os códigos da letra I (I00-I99) indicam as doenças do aparelho circulatório. 

Esse é um agrupamento bastante detalhado. Veja um resumo das categorias:

  • Febre reumática aguda;
  • Doenças cardíacas reumáticas crônica;
  • Hipertensivas;
  • Isquêmicas do coração;
  • Doenças cardíacas da circulação pulmonar;
  • Outras doenças cardíacas;
  • Cerebrovasculares;
  • das artérias, das arteríolas e dos capilares;
  • das veias, dos vasos linfáticos e dos gânglios;
  • outras doenças do aparelho circulatório. 

Capítulo X – sistema respiratório

O capítulo X também é bastante detalhado e inclui as doenças do sistema respiratório. A lista apresenta comprometimentos agudos, como sinusite, faringite e amigdalite (J01-J03) além de doenças como bronquite, rinite e sinusite e faringite crônica. 

O capítulo traz ainda causas externas, doenças infecciosas e alterações de urgência como SARA (J80), edema pulmonar agudo (J81) e pneumotórax (J93). Portanto, para utilizar com maior assertividade, você pode focar o estudo das categorias mais comuns na sua prática profissional. 

Capítulo XI – sistema digestivo

As doenças do aparelho digestivo são descritas entre os códigos K00 e K93. O capítulo XI traz desde doenças da cavidade oral (K00-K14) até doenças intestinais (K55-K63) e do hepáticas (K70-K77). Portanto, é uma das partes do instrumento que pode facilitar a comunicação entre diferentes especialidades da saúde, inclusive, a Odontologia. 

Capítulo XII – doenças de pele

Já o capítulo XII é do interesse, especialmente, da Dermatologia. Ele apresenta todas as classificações com letra L (L00-L99). Veja as subcategorias: 

  • Infecções da pele e do tecido subcutâneo;
  • Afecções bolhosas;
  • Dermatite e eczema;
  • Afecções pápulo-descamativas;
  • Urticária e eritema;
  • Transtornos da pele e do tecido subcutâneo relacionados com a radiação;
  • Afecções dos anexos da pele;
  • Outras afecções da pele e do tecido subcutâneo.

Capítulo XIII – sistema osteomuscular e tecido conjuntivo

O capítulo XIII traz as doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo com os códigos iniciados pela letra M (M00-M99). Esse capítulo é subdividido em: 

  • Artropatias;
  • Doenças sistêmicas do tecido conjuntivo;
  • Dorsopatias;
  • Transtornos dos tecidos moles;
  • Transtornos da densidade e da estrutura óssea;
  • Outras osteopatias;
  • Condropatias.

Capítulo XIV – Doenças do aparelho geniturinário

O capítulo XIV é um dos mais extensos da CID-10. Agrupa as doenças do aparelho geniturinário. Portanto, é de interesse de áreas como Nefrologia, Urologia, Mastologia e Ginecologia. Abrange os códigos da letra N (N00-N99), divididos nas seguintes categorias:

  • Doenças glomerulares;
  • Doenças renais túbulo-intersticiais;
  • Insuficiência renal;
  • Calculose renal;
  • Doenças dos órgãos genitais masculinos;
  • Da mama;
  • Doenças inflamatórias dos órgãos pélvicos femininos;
  • Transtornos não-inflamatórios do trato genital feminino.

Entre os principais diagnósticos listados, estão: síndrome nefrítica aguda (N00), Insuficiência renal aguda (N17) e crônica (N18), cistite (N30), doenças inflamatórias da próstata, infertilidade masculina (N46), endometriose (N80). 

 Capítulo XV – gravidez, parto e puerpério

Já o capítulo XV é especialmente de interesse da Obstetrícia. Agrupa termos relacionados à gravidez, ao parto e ao puerpério entre os códigos da letra O (O00-O99). As categorias incluídas são:

  • Gravidez que termina em aborto;
  • Edema, proteinúria e transtornos hipertensivos;
  • Outros transtornos maternos da gravidez;
  • Assistência prestada à mãe por motivos relacionados ao feto e à cavidade amniótica;
  • Complicações do trabalho de parto;
  • Parto;
  • Complicações do puerpério;
  • Outras afecções obstétricas. 

Dentro dessas categorias, citam-se fenômenos como gravidez ectópica (O00), aborto espontâneo (O03), falha de tentativa de aborto (O07), eclâmpsia (O15), diabetes mellitus na gravidez (O24), trabalho de parto pré-termo (O60). 

Capítulo XVI – afecções originadas no período perinatal

O capítulo XVI aborda, entre os códigos da letra P (P00-P96), as afecções do período perinatal. São encontradas neste capítulos classificações de hemorragias, traumas, displasias, fraturas, infecções, isquemia e hipóxia que podem afetar o recém-nascido. Por isso, é uma listagem de especial interesse para a Neonatologia e para a Pediatria. Estão listadas as consequências de problemas no parto, como:

  • complicações da gravidez, do trabalho de parto;
  • transtornos relacionados com a duração da gestação;
  • traumatismo de parto;
  • transtornos respiratórios e cardiovasculares específicos;
  • infecções;
  • hemorragias;
  • transtornos endócrinos e metabólicos do neonato;
  • afecções tegumentares.

Capítulo XVII – malformações congênitas e anomalias cromossômicas

As classificações presentes no capítulo XVII referem-se, também, a consequências indesejadas do processo de desenvolvimento do feto. De forma mais específica e detalhada, abrange os códigos que  iniciam com a letra Q (Q00-Q99).

Lista as malformações congênitas do sistema nervoso, dos órgãos de face e pescoço, do aparelho circulatório, do sistema respiratório, do sistema digestivo, dos órgãos geniturinários, do aparelho osteomuscular.

Além disso, lista anomalias cromossômicas, tais como:

  • Síndrome de Down (Q90);
  • Síndrome de Edwards e Síndrome de Patau (Q91);
  • Outras trissomias;
  • Monossomias e deleções;
  • Síndrome de Turner;
  • Outras anomalias dos cromossomos sexuais. 

Capítulo XVIII – sintomas, sinais e exames

O Capítulo XVIII inclui achados laboratoriais, sinais e sintomas que, separadamente, não definem um diagnóstico. São os códigos da letra R, entre os quais estão os sinais e sintomas (R00-R69) do(a):

  • Sistema respiratório e circulatório;
  • Sistema digestório;
  • Pele;
  • Sistema nervoso e osteomuscular;
  • Sistema urinário;
  • Cognição, percepção e comportamento;
  • Fala e voz.

Além disso, lista os achados anormais de exames de sangue entre os códigos R70 e R79.

Capítulo XIX – causas externas

O Capítulo XIX é outro conjunto extenso de classificações. Divisão de interesse para áreas como Medicina Legal, Urgência e Emergência, Toxicologia, Traumatologia e outras, aborda consequências físicas de causas externas. Portanto, define os efeitos de lesões, envenenamentos, queimaduras e corrosões por exemplo. 

A estratégia de subdivisão está baseada na região do corpo afetada (entre S00 e S99), nos tipos de traumatismo (T00 a T19), na especificidade das queimaduras (T20 a T32) e em outras causas (T33 a T98).

Capítulo XX – causas externas de morbidade e de mortalidade

O capítulo XX integra os códigos iniciados pelas letras V, W, X ou Y (V00-Y98). Entre eles estão as definições de causas externas de morbidade e de mortalidade. 

As categorias incluem acidentes de transporte (V01-V99), outras causas de traumatismos acidentais (W00-X59), lesões autoprovocadas (X60-X84), agressões (X85-Y09), intervenções legais e operações de guerra (Y35-Y36), complicações de assistência médica e cirúrgica (Y40-Y84).

Os termos são detalhados, com diferenciações, por exemplo, pelo tipo de transporte e pelo tipo de força causadora do trauma. Nesse capítulo são encontradas classificações como afogamento, esmagamento, quedas, acidentes durante o atendimento médico, etc.

Capítulo XXI – motivos do atendimento 

O capítulo XXI agrupa as diferentes causas de procura por atendimento. Além disso, define vários procedimentos utilizados nas consultas. O objetivo aqui foi de reunir as principais motivações para acionamento da assistência em saúde. Estão incluídos os tipos de consulta, as necessidades de imunização, serviços relacionados com a gravidez, riscos socioeconômicos, histórico familiar de presença de doenças, entre outros. 

A consulta a esse capítulo deve ser feita sempre que for necessário justificar o motivo da consulta sem que exista um diagnóstico formalizado. Para isso, é importante diferenciar as circunstâncias motivadoras do atendimento das conclusões após a consulta. 

Capítulo XXII – códigos especiais

O último capítulo da CID-10 inclui códigos para propósitos especiais, como:

  • Síndrome respiratória aguda grave (SARS) (U04);
  • Doença pelo Zika Vírus (U06);
  • Agente resistente à penicilina (U80);
  • Resistente à vancomicina (U81);
  • Agente resistente a múltiplos antibióticos (U88);
  • Resistente a outros antibióticos não específicos (U89).

Agora que você entendeu a estrutura, já possui o conhecimento necessário para utilizar a CID-10. Aliás, esta não é uma classificação para decorar. Você vai se acostumar com os códigos mais utilizados durante sua prática clínica, mas, quando esquecê-los, utilize a tecnologia.

Onde consultar os códigos da CID-10?

No seu smartphone, gratuitamente! 

Para isso, basta escolher entre as opções de aplicativos disponíveis. Abaixo, listamos vantagens e desvantagens daqueles que trazem mais praticidade para seu dia a dia. 

CId 10, da Doctordroid

O app CID 10, desenvolvido pela Doctordroid, possui um design detalhado, com alto nível de contraste – o que facilita a consulta. 

A busca pelos códigos não precisa ser exata. Você pode digitar livremente, sem acentos por exemplo, e de forma intuitiva o aplicativo mostra o termo que você procura. 

Além disso, é possível acessar o histórico de buscas e salvar os códigos que você mais utiliza como favoritos. 

Uma desvantagem é o tempo de carregamento. Embora seja um aplicativo intuitivo e com boa aparência, demora para entregar os resultados de suas pesquisas. Experimente para ver se é apropriado para seu fluxo de trabalho. 

CID10 LinkCID, da Linksaúde

Um aplicativo bastante intuitivo, mas com layout mais simples. A catalogação dos códigos é feita em forma de lista: você clica na categoria e ele apresenta as subcategorias. 

Já a busca pode ser feita sem os caracteres especiais. Ainda assim o aplicativo traz os resultados desejados. 

Também armazena seu histórico de pesquisas e possibilita a criação de uma lista de favoritos. 

Código de Doenças CID 10, da Trofo Systems 

O aplicativo da Trofo também é uma boa opção. Seu principal diferencial é a funcionalidade bilíngue, em português e em inglês. Sua lista de códigos é dividida de forma clara e apresenta ícones que facilitam a experiência do usuário. 

O “Código de Doenças CID 10” também permite a criação de favoritos. No entanto, possui duas desvantagens:

  • Não apresenta busca dinâmica;
  • Encontra apenas os termos pesquisados com exatidão.

Se você quiser outras opções, avalie os apps:

  • ProDoctor
  • CID 10, da MistDev
  • MedPhone, que inclui CID, bulas, substâncias e calculadoras.

Quais as alterações trazidas pela CID-11?

As ciências da saúde avançam juntamente com a tecnologia, com as ciências biológicas e com as ciências sociais. Por isso, foi proposta a revisão de todos os capítulos da CID-10. Dessa forma, a décima-primeira versão, já apresentada para a Assembleia Mundial da Saúde, possui mudanças importantes em relação à atual versão. 

A CID-11 entrará em vigor em Janeiro de 2022. A principal alteração é de formato. A CID-11 será eletrônica e facilmente integrada em aplicativos. Assim, o acesso ao conteúdo integral será facilitado. 

As alterações trazidas pela nova versão refletem o avanço da compreensão científica.

Exemplo disso são os códigos referentes aos antibióticos. Na nova versão, estão mais alinhados com o Sistema Global de Vigilância da Resistência Antimicrobiana (GLASS, na sigla em inglês). Além disso, a CID-11 também trará dados sobre segurança na assistência à saúde, buscando identificar e reduzir fluxos de trabalho inseguros em hospitais. 

O novo documento incluirá capítulo sobre medicina tradicional. Como referido pela Organização Pan-Americana de Saúde, trata-se do reconhecimento da prática utilizada por milhões de pessoas em todo o mundo. 

Outra mudança importante é a adição de capítulo sobre saúde sexual. Nele serão incluídas condições antes categorizadas de outras formas ou que contavam com descrições diferentes. É o caso do termo “transtornos de identidade de gênero”, que será definido como “incongruência de gênero”. 

Lale Say, coordenadora do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisas da OMS, afirmou que a abordagem demonstra um “melhor entendimento de que isto não é realmente um problema de saúde mental”. Ela também explicou que o motivo para o termo não ser excluído da CID é a necessidade de garantir o atendimento às demandas específicas de saúde da população trans. 

A medicina avança com a tecnologia. 

Sua clínica também pode aproveitar as praticidades da inovação.

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Autores: 

Assinatura Julia

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