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Como funciona a residência médica?

Tempo de leitura: 12 minutos

Quanto tempo você se dedicou para estar na situação que está hoje? Estudar medicina é um desafio que começa antes mesmo do primeiro dia de aula. Cursinhos preparatórios, simulados, livros e mais livros e, em alguns casos, muitos anos são necessários para conseguir entrar em uma faculdade que vai te tornar médico tempos depois. Após seis anos você pode atuar como Clínico Geral. Mas o esforço não para por aí. Se quiser se aprofundar ainda mais, é necessário se dedicar por mais algum tempo.

O que é a Residência Médica?

Mesmo no final do curso e após o internato, o médico desenvolve credenciais mais generalistas na prática da medicina. O formando consegue atuar em hospitais, clínicas e consultórios, mas somente em casos mais comuns e corriqueiros. Os médicos que já se formaram e que têm o registro profissional no Conselho Regional de Medicina podem continuar os estudos para atuar em casos mais específicos. Não é obrigatório, você pode trabalhar como médico generalista por anos. A Demografia Médica no Brasil de 2020 apontou que mais de 184 mil médicos são clínicos gerais. Mas muitos alunos costumam terminar o ciclo base e já começam o aprofundamento. A mesma pesquisa mostrou que o Brasil tem quase 294 mil médicos especialistas. Todos que fazem parte desse último dado têm algo em comum: eles fizeram residência médica.

Esse nome é utilizado para falar da modalidade de ensino de pós-graduação na área da medicina. É por meio dessa etapa que você pode conseguir o título de especialista. Ainda de acordo com a última Demografia Médica divulgada, 53.776 profissionais cursavam residência médica até 2019. Nesse mesmo intervalo de tempo, 4.862 programas foram oferecidos em 809 instituições diferentes.

No Brasil, o primeiro programa criado foi em 1945 no Hospital das Clínicas em São Paulo, na especialidade de Ortopedia. Anos mais tarde, em 1948, o Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro recebeu programas em Cirurgia-Geral, Clínica Médica, Pediatria e Gineco-Obstetrícia. Esse movimento perpetuou por anos e em diferentes modalidades. A residência em Medicina Geral Comunitária foi criada em 1976, um ano antes dessa prática ser acolhida pela legislação brasileira. O decreto 80.281 de setembro de 1977 definiu algumas bases geridas pelo Ministério da Educação, o MEC, que são seguidas até hoje.

Diferente dos primeiros anos da faculdade, a residência médica tem uma abordagem de aprendizagem mais prática, ainda que mantenha a finalidade educacional. É a forma de lidar diretamente com pacientes em diferentes casos e poder tirar as dúvidas do dia a dia com um especialista.

O processo costuma acontecer em instituições de saúde que são credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica, responsável pelo regimento desta etapa de estudo. Fora dessa credencial, ainda que seja uma pós-graduação, o termo residência médica não pode ser utilizado. Cada programa deve ter a orientação de médicos com mais bagagem profissional naquela área que você escolheu.

O Conselho Federal de Medicina listou as especialidades reconhecidas pela instituição. São 55 áreas, entre:

  • Alergia e imunologia;
  • Cardiologia;
  • Cirurgia: geral, cabeça e pescoço, plástica, pediátrica, vascular e torácica;
  • Dermatologia;
  • Endocrinologia;
  • Geriatria;
  • Ginecologia e obstetrícia;
  • Infectologia;
  • Pediatria;
  • Psiquiatria;
  • Ortopedia e outras.

Como Funciona a Residência Médica?

Identificar que você quer se tornar um especialista é o primeiro passo. Num segundo momento, você pode pesquisar quais programas existem e aí sim vai conseguir entender como funciona a prova de residência em cada um deles. Você já pode começar a pensar nisso antes mesmo de finalizar a graduação, contanto que apresente diploma e registro no CRM até o dia que a residência se concretizar por meio de contrato. Cada exame tem detalhes próprios, mas todos são complexos e costumam girar em torno de quatro passos:

1º Passo: prova objetiva para medir os seus conhecimentos médicos em determinado assunto. Cada instituição pode explorar temas diferentes, por isso é necessário recuperar provas anteriores para criar uma base do que estudar para se preparar. O peso que essa fase tem também é relativo.

2º Passo: prova prática, quando casos são apresentados para que você fale qual diagnóstico e solução daria a eles. Podem ser casos simples até mais complexos que demoram mais tempo de observação e análise.

3º Passo: análise curricular que serve como uma forma de verificação dos caminhos percorridos durante os anos básico de medicina. Atividades extras também podem contar nesse momento, assim como conhecimentos que ultrapassam o senso comum da medicina como idiomas e tecnologia.

4º Passo: entrevista pessoal para te conhecerem melhor e entenderem quais são as suas expectativas e vontades profissionais.

Por se tratar de mais um passo na sua formação médica, o preparo para esse processo seletivo é imprescindível. Ainda mais porque a concorrência é alta e não existe vaga para todo mundo em todos os programas. Dependendo da área de atuação que você escolher, outros pré-requisitos são exigidos nesse processo.

Depois de ser aprovado no processo seletivo da residência médica que você escolheu, são até 5 anos para você ganhar o título de especialista. As energias nesse momento estão focadas em complementar de forma prática o que já foi apresentado durante a faculdade. Nesse momento você pode acompanhar pacientes internados, substituir algum médico da equipe e fazer atendimentos na emergência e em ambulatórios especializados, como por exemplo na ortopedia.

Existe uma carga horária que precisa ser cumprida. São, no máximo, 60 horas semanais, sendo que 24h são de plantão. O descanso de 6h é obrigatório após trabalho noturno de 12h e você tem direito a uma folga semanal. A cada ano de atividades realizadas, você tem 30 dias consecutivos de repouso. Atividades teórico-práticas fazem parte desse momento e são executadas por meio de seminários e estudos complementares, fazendo parte minimamente de 10% da carga até o máximo de 20%.

Qualquer dano causado aos pacientes que você atender nesse período bedece às mesmas regras utilizadas para médicos em geral.

Alguns direitos e deveres são parecidos com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), legislação aplicada a todos os tipos de colaboradores, independente da função e área de atuação. São eles:

  • O médico residente é um contribuinte individual, ou seja, recolhe valor ao INSS;
  • Se houver necessidade, pode ter acesso a licença-paternidade de 5 dias ou licença maternidade de 120 dias, podendo ser prorrogado por mais 60 dias;
  • Direito a afastamento médico se necessário;
  • Esse período de afastamento, por filhos ou doenças, deve ser acrescido no tempo de residência;
  • Bolsa médico-residente mensal, com direito a revisão anual. O MEC definiu o valor mínimo em R$3.330,43, mas algumas instituições remuneram mais do que isso como forma de incentivo.

Falando em questões financeira, é interessante ressaltar que a Comissão Nacional de Residência Médica estabeleceu por meio da resolução nº4 de 12 de julho de 2010 a irregularidade de dar plantões médicos nesse período da carreira sem a supervisão de um profissional capacitado, nem mesmo os de sobreaviso ou a distância.

Esse tipo de treinamento funciona em regime de dedicação exclusiva em instituições de saúde que podem ser universitárias ou não. Isso significa que você enquanto médico-residente não pode ter outros contratos com a instituição que está oferecendo o programa. Uma conduta diferente dessa pode ocasionar desvirtuamento do curso e um possível descredenciamento junto ao Ministério da Educação.

As instituições de saúde têm alguns papeis nessa jornada também. Cabe às elas a responsabilidade pelo fornecimento de alguns recursos no programa:

  • Alimentação;
  • Condições adequadas de repouso e higiene pessoal durante os plantões;
  • Auxílio moradia que pode variar de programa para programa.

Por se tratar de um programa de pós-graduação, o médico que está fazendo a residência deve ser avaliado em relação às habilidades necessárias para aquela área. Não há uma prova oficial do MEC para residentes. Desta forma, o método de avaliação muda de acordo com o local. Podem te avaliar de forma mais objetiva com conteúdo escritos, por exemplo, ou então de forma mais subjetiva ao longo da rotina. Essas avaliações podem medir mais do que a capacidade técnica. Elas também podem te classificar quando o assunto é conduta, observando a sua pontualidade, suas atitudes e seu relacionamento interpessoal tanto com a equipe quanto com os pacientes.

Sem a residência médica, você teria que fazer outro tipo de pós-graduação, muitas vezes tendo custo extra por isso, e ainda teria que prestar uma prova para ser reconhecido como especialista na sua área de estudo. Já no formato que estamos tratando ao longo desse texto, você vai receber um certificado de residência médica pela Comissão Nacional ao final do programa e vai estar no Cadastro Nacional de Especialistas conforme decreto nº8.516 de setembro de 2015.

Vale lembrar que o médico só pode repetir programas de residência se for um pré-requisito obrigatório na nova especialidade.

Quais as especialidades com mais mercado?

Escolher a sua área pode ser uma decisão tão séria quanto a escolha do curso de faculdade. O natural é pensar quais assuntos mais gostou de estudar durante a faculdade e qual especialidade você mais vai gostar de lidar com o cotidiano. Esses fatores podem ser ótimos indicativos sobre o seu real interesse. Afinal, serão mais anos e boas horas de dedicação em um novo ciclo da sua jornada profissional.

Mas além de pensar no seu perfil e nas suas preferências, também é importante descobrir quais são as áreas médicas que estão em alta.

Isso também significa que você deve levar em conta as condições de trabalho, remuneração, avanços tecnológicos e tempo de jornada. Pensando nisso, esse texto vai te mostrar 5 especialidades médicas com mais chances de mercado: 

  • Pediatria

Se você gosta de cuidar de bebês, crianças e adolescentes, essa pode ser uma boa área para você. O pediatra atua nessa fase da vida aconselhando os pais sobre vacinas, hábitos saudáveis do dia a dia, alimentação e também lidam com doenças que são características dessa época. Essa especialidade é composta por quase 40 mil profissionais, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pediatria. É a maior área específica do país.

  • Epidemiologia

Depois da covid-19, o trabalho desses profissionais nunca mais será o mesmo. Essa é a principal especialidade que tem ajudado a população no combate ao coronavírus e no tratamento da doença, se tornando mais do que necessária. Se você começar a residência médica em epidemiologia, poderá estudar transmissões, evoluções e propagações de doenças. Já pensou conseguir evitar uma futura epidemia?

  • Radiologia

Robôs e algoritmos estão presentes cada vez mais na vida do radiologista. Essa área é procurada porque desperta uma atenção para melhor qualidade de vida que o médico pode ter devido jornadas de trabalho mais curtas e remuneração fixa.

·  Medicina Esportiva

A tecnologia cada vez mais empregada nessa área tem ampliado o leque do médico esportivo. Por meio delas é possível criar mecanismos estratégicos para potencializar ainda mais a saúde dos atletas a fim de melhorar o desenvolvimento durante as competições. A remuneração de quem lida com atletas profissionais costuma ser elevada.

  • Neurocirurgia

Essa especialidade não tem um pingo de moleza. Enquanto o tempo das demais residências costuma transitar entre 2 e 3 anos, para ser neurocirurgião você vai precisar de 5. Esse esforço é compensado nos rendimentos mensais após esse período. Os valores altos são justificados pela complexidade do trabalho e pela alta carga de pressão no dia a dia já que lida diretamente com o cérebro e a medula espinhal, duas áreas muito sensíveis e cheias de responsabilidades no nosso corpo.

Se você quiser saber de mais áreas médicas em alta, leia  este texto 

A decisão de qual área vai seguir é completamente sua. O importante é sabe que depois de cursar a residência médica, você vai poder atuar na área de forma legal, atendendo por meio de consultas, realizando procedimentos e cirurgias e indicando formas de tratamento. E você vai se tornar um especialista justamente em um período de muita transformação e adaptação da medicina, principalmente pelas questões sanitárias levantadas após o surgimento da Covid-19 e do isolamento social. Esteja preparado para isso! Preencha o formulário abaixo para ter acesso ao e-book que preparamos para você sobre Telemedicina!

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